Quadro Cervantes
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Quadro Cervantes

Biografia e repertório

Fundado em 1974, o Quadro Cervantes é um dos nossos conjuntos mais reconhecidos: “... o mais importante conjunto de música antiga do país” (O GLOBO). Além da sua inegável qualidade artística, o conjunto prima pelo humor e a comunicação que estabelece com suas plateias. Os repertórios que costuma apresentar incluem obras que vão desde o período medieval até o cancioneiro brasileiro do século XIX. Empregando cópias fiéis de instrumentos antigos, recitais do grupo compreendem trios vocais e dezenas de instrumentos das famílias de sopro, percussão, cordas dedilhadas e cordas friccionadas.

O Quadro Cervantes já realizou cinco gravações, e tem se apresentado desde a década de 1970 em mais de mil recitas
em quase todo o território nacional, assim como no México e Equador. O conjunto é formado por Helder Parente: flautas, barítono e percussão; Márcia Taborda: soprano e vihuela; Mário Orlando: viola da gamba, vielle, flautas doce e contratenor, e; Nícolas de Souza Barros: alaúdes, violão e viola de arame, guitarras renascentista e barroca. Em 2010, o conjunto apresentou com grande sucesso dois programas distintos no Festival de Música Sacra de Quito, Equador.

Helder Parente
Um dos mais conceituados músicos brasileiros na área de música antiga, tendo se especializado no Instituto Orff (Salzburgo - Austria), onde também chegou a lecionar. Tem extenso currículo como docente e intérprete, tendo ensinado em cursos e festivais nacionais e internacionais, como Curitiba, Campos de Jordão, Londrina, Brasilia, Ouro Preto, Pittsburgh (EUA) e na Espanha, entre outros. Já se apresentou em vários paises europeus, nos EUA e nos principais centros brasileiros. Atualmente é professor nos cursos de música e teatro da UNIRIO.

Marcia Taborda
Violonista e cantora, é Doutora em História Social pela UFRJ com pesquisa sobre a introdução do violão no Rio de Janeiro.
Dedica-se à interpretação do repertório contemporâneo, atuando desde 1989 em Bienais e festivais de música no Brasil e exterior, realizando primeiras audições de inúmeros trabalhos.
Uma das vencedoras do Prêmio Bolsas de Pesquisa da Fundação Biblioteca Nacional (2007), foi a única brasileira a receber o prêmio The 1997 John F. Kennedy Center Fellowships of the Americas, realizando especialização em Nova Iorque.
Gravou para a Acari Records o CD “Choros de Paulinho da Viola” com a obra do compositor escrita para violão, e pelo selo ABM Digital o CD “Musica Humana”, com obras do repertório brasileiro contemporâneo. É professora de violão da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Mario Orlando
Faz parte desde 1983 do Conjunto de Música Antiga da UFF (cinco CD´s). É especialista em instrumentos antigos de arco como vielle e viola da gamba. Concluiu seu Mestrado em Música Antiga na Sarah Lawrence College (Nova Iorque) em 1989, como bolsista da CNPQ, tendo também feito uma Especialização em Viola da Gamba no Conservatório Nacional de Lyon (França) em 1994. Já tocou nos EUA, França, Polônia e Ukrânia, e é frequentemente convidado a ensinar nos mais importantes festivais de música antiga do país. Tem atuado também como Diretor Musical do Conjunto Antiqua, de Belo Horizonte, com o qual já gravou dois CD’s.

Nícolas de Souza de Barros
É professor da UNIRIO, Doutor em Música (UNIRIO – 2008) e um dos mais conceituados especialistas brasileiros na área de cordofones dedilhados. Já se apresentou largamente na Europa e na América do Norte, assim como nos principais centros brasileiros. Desde 1990, é responsável pela Cadeira de Violão Clássico da UNIRIO; seus formandos têm atuado com desenvoltura em cenários nacionais e internacionais, também se tornando docentes de importantes instituições federais e estaduais do Brasil. Entre 2003-2006, dirigiu a série ‘Sábados Clássicos’ (Sesc-Flamengo). Realizou estreias de obras de Mignone, Ronaldo Miranda (Concerto para Quatro Violões e Orquestra – Sinfônica de Baltimore; 2004) e Villa-Lobos, entre outros. Mantém intensa atividade como solista e camerista, trabalhando há duas décadas com o violoncelista David Chew (um CD), entre outros. Em 2009, realizou 87 recitais em 23 estados brasileiros, realizando turnê organizada pelo SESC Nacional.

Repertório

Brasil 500 Anos
Este programa segue o roteiro do CD homônimo, com obras luso-brasileiras. Começa com obras do cancioneiro anônimo Martin Codax (século XIII), passando por obras do Renascimento português e do Barroco Brasileiro; para concluir, uma seleção de algumas das melhores modinhas e lundus dos séculos XVIII e XIX. Obras de Milan, Cancioneiros de Hortensia e Codax, Antonio da Silva Leite, Xisto Bahia e Candido Inácio da Silva.

Um Noivo em Cócegas - Lundus e Modinhas
dos séculos XVIII-XX

Uma pesquisa mais aprofundada levou ao desenvolvimento de um repertório bem humorado centrado nas modinhas e lundus brasileiros (com uma pitada portuguesa). Entre os destaques deste programa, os Três Conselhos, três canções que formam uma espécie de manual do amor do século XIX; e O Casamento, outro grupo de baladas com os nomes sugestivos Ta te ti to tu, Eu quero me casar e Um Noivo em Cócegas.

Cantos de Natal
Desde muito cedo, a tradição cristã motivou músicos e poetas a compor cantos específicos para celebrar o nascimento de Cristo. São obras em louvor a ele e as figuras que o cercam, importantes ou anônimos, tais como Maria, José, os Reis Magos, os anjos e pastores etc. Em muitos momentos, a Igreja Católica foi uma das principais empregadoras de músicos, fazendo com que grande parte da composição musical europeia entre os séculos VIII a XIII fosse composta por peças religiosas. Não só na liturgia católica, que conta com uma estação dedicada à preparação do acontecimento - o advento - mas também dentro do repertório para-litúrgico, popular e cristão-protestante, o Quadro Cervantes buscou os exemplos deste programa de Natal, que se entende pela a Idade Média (séc. IX-XIII), o Renascimento (séc. XIV-XVI), chegando até o Barroco europeu e latino-americano.

Música Francesa dos séculos XIII-XVII
Este belo programa é destinado à música antiga francesa, incluindo obras dos períodos medieval, renascentista e barroco. Entre os destaques iniciais, obras de Dufay e Machaut, assim com o um belo lamento composto em homenagem ao falecimento deste último por um discípulo. Do Renascimento, uma seleção de Árias de Corte para uma ou duas vozes e alaúde. Para fechar, algumas obras instrumentais do Barroco francês, que colocam em relevo instrumentos como a viola da gamba de sete cordas e a teorba, um alaúde de quase dois metros de altura.

Cantos de Amor e Erotismo
(para públicos maiores de 14 anos)
Temas eternos, o erotismo e o amor fornecem a temática deste recital do Quadro Cervantes, que é dividido nas seções A Corte, O Amor, O Casamento, A Traição e O Erotismo. Este programa bem humorado do Quadro Cervantes é iniciado com canções da antologia Carmina Burana, compilada por monges do século XIII numa região da Alemanha atual. De outra antologia medieval, a Cantigas de Santa Maria, uma canção fala do milagre concedido a uma religiosa, que, grávida, pede ajuda de Nossa Senhora. O Renascimento é marcado por canções de amor escritas em tom farsesco, cujo humor picante faz alusão a um erotismo implícito (e às vezes explícito), contando estórias em linguagem disfarçada, apropriada aos salões em que eram executadas. Finalmente, aparecem obras do cancioneiro sefaradita dos judeus espanhóis, na qual é comum encontrar uma mescla de características musicais orientais e ocidentais.

Música das Américas
É marcante a influência da Igreja Católica sobre a criação musical nas Américas, principalmente nos paises de cultura espanhola e portuguesa. Neste recital, o Quadro Cervantes apresenta duas cantatas, do Peru e da Bolívia, que mostram parte da produção latino-americana do século XVIII. Aparecem também composições para a guitarra barroca, que surgiu na península ibérica no século XVII e foi rapidamente adotada na América Latina. Canções seculares surgem no Brasil pela primeira vez com o aparecimento da modinha no século XVII, que foi provavelmente derivada da “moda” portuguesa. Assim, o recital fecha com obras de relevantes compositores brasileiros, como Padre José Mauricio, Xisto Bahia, Antonio da Silva Leite, entre outros.

Cantos da Natureza
Neste programa, o Quadro Cervantes faz um passeio musical apresentando obras inspiradas por rios, estações, pássaros e a lua. As mudanças climáticas - especialmente a passagem do inverno para a primavera - explicam o grande número de menções ao canto dos pássaros e aos jovens correndo por prados verdejantes na música renascentista. No período barroco, compositores escrevem de forma descritiva, tentando demonstrar instrumentalmente não só estados de espírito, como também casamentos campestres, os cantos de pássaros, etc.

Recital do Quadro Cervantes
Abrangendo diversos períodos musicais, o Q.C. apresenta neste programa algumas das suas peças favoritas. O roteiro musical inicia-se na Idade Média, com o primeiro cânone da música ocidental, seguindo com canções de louvor à Maria (Cantigas de Santa Maria) e da Carmina Burana. A Ars Nova, movimento musical que muda as regras da composição ocidental no século XIV, é representada por obras de Dufay e Andrieu. Dois grandes compositores representam a Alta Renascença - John Dowland, com canções para uma ou mais vozes e obras para alaúde solo, e Michael Praetorius, com danças para conjunto instrumental. A modinha é representada por Antonio da Silva Leite e Marcos Portugal, e o recital termina com a fusão de culturas do Oriente e do Ocidente, que são apresentados nas canções dos judeus sefaraditas.

Programa didático:
composto por oito a dez obras musicais e falas bem organizadas, focando nos instrumentos e um pouco nos estilos musicais.

 
 

Fotos

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